quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Gênero Textual - Crônica

A crônica é um gênero textual muito veiculado em jornais e revistas  que trata de temas cotidianos , muitas vezes ,de forma descontraída e bem -humorada. 

Leia a crônica abaixo , de Luís Fernando Veríssimo:

RUÍDOS
Luís Fernando Veríssimo

Você pode controlar a maioria dos ruídos do seu corpo (o espirro, o  arroto, você sabe do que estou falando) mesmo que isto lhe custe algum  suplício. Mas existe um ruído absolutamente incontrolável, que nada reprime ou disfarça. É aquele barulho que faz a barriga quando menos os   que estão à sua volta ou você esperam. Geralmente - é fatal - no momento de maior silêncio no recinto.
Isto já aconteceu, claro. Você está, digamos, numa sala de espera, naquele convívio forçado e constrangedor de uma sala de espera lotada, e de  repente sua barriga faz "grwol". Depois "grl, grl" e logo em seguida "brliadbm". E quando tudo parece terminado, vem um Post Scriptum: "Piauiiim..."
Você olha em volta sem mexer a cabeça. Será que alguém ouviu? Claro que ouviram. Na rua devem ter ouvido. O que fazer?
Você pode ficar impassível, olhando para um ponto qualquer no infinito.
Não foi a sua. E mesmo que tenha sido, o que tem? Pode acontecer com qualquer um. Você não tem que dar satisfações a ninguém. Só espera que o  fato se perca no esquecimento. Mas sua barriga repete a sequência. "Grwol". Depois "grl, grl". Depois "brliadbm".Silencio. Suspense.Finalmente: "Piauiiim...
"Você pode sorrir para todos e sacudir a cabeça, resignado, como que desistiu de disciplinar uma criança rebelde. "Essas barrigas...". Os outros aceitarão seu convite para uma confraternização bem humorada em torno do que é, afinal, um incidente gástrico, e portanto comum, banal e  profundamente humano. A desvantagem deste procedimento é que ele só dará certo uma vez. Se sua barriga voltar a manifestar, você não contará  mais com a boa vontade unânime dos circundantes. Alguns farão cara de "Foi divertido, mas agora chega".E não há nada que você possa fazer.
Um terceiro caminho é, no momento do barulho, olhar para a pessoa do lado  com um misto de surpresa e indignação. É uma tática calhorda, mas você transferirá as suspeitas.
Ou então você só tem uma saída: assumir a barriga e seu repertório. Foi a minha, sim, e tenho orgulho dela!
http://pensador.uol.com.br/cronicas_de_luis_fernando_verissimo/

Características da crônica:
      O autor   Ricardo Sérgio analisa a proximidade entre a crônica e o conto .  

Segundo ele :podemos enumerar algumas características da crônica que podem ser confrontadas com as do conto. São elas:
Está ligada à vida cotidiana. Contém um depoimento pessoal, com estilo e pontos de vista individuais. Narrativa informal, familiar, com sentimentos íntimos mais profundos.
Procura reproduzir na escrita a linguagem do cotidiano, ou seja, coloquial, às vezes, carregada de sentimentos, ou de emoção, ou ainda, de ironia, de crítica.
Tem sensibilidade em relação a realidade. Procura a síntese, a brevidade, a leveza de sentido e uma dose de lirismo.
Faz uso do fato como meio ou pretexto para o artista exercer seu estilo e criatividade.
Diz coisas sérias por meio de uma aparente conversa fiada.
Ele acrescenta que a crônica teve um desenvolvimento específico no Brasil, não faltando historiadores literários que lhe atribuem um caráter exclusivamente nacional. Realmente, a crônica, como a entendemos, não é comum na imprensa de outros países. Por isso, entre nós, o prestígio da crônica não tem deixado de crescer. Machado de Assis, Olavo Bilac, Humberto Campos, Raquel de Queirós ou Rachel de Queiroz, Carlos Drummond de Andrade, Rubens Braga, Paulo Mendes, Paulo Francis, Arnaldo Jabor, Érico Veríssimo e tantos outros, cultivaram-na ou cultivam-na com peculiar engenhosidade, criatividade e assiduidade. ®Sérgio. 


Fonte:http://www.recantodasletras.com.br/teorialiteraria/794029















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